Internacional

Um conjunto de filmes recentes, inéditos e não inéditos, documentários e ficções, em diferentes formatos, compõem a Mostra Internacional do FIM20. As mulheres brasileiras, respeitando as enormes diferenças de renda, de etnia, de afetos e de vivências, são de incontáveis modos contaminadas pelas origens históricas do nosso país. Essas origens nos levam à Península Ibérica e nos conectam com a ocupação da América Latina, mas também nos ligam intrinsecamente, visceralmente, às diásporas negras impostas ao povo e ao continente africano.

A curadoria do Festival, em tempos de confinamento e reflexão, opta por apresentar filmes de diretoras que, mesmo nascidas em outros países, compartilham conosco uma História, algumas fronteiras, muitos imaginários. Que histórias elas nos contam? O que têm para nos dizer?

Diretoras latinas da Argentina, Chile e Espanha e diretoras negras dos EUA e França trazem ao FIM20 suas obras, suas linguagens, suas reflexões, suas visões de mundo e suas lutas - as projeções de suas subjetividades e entornos.

Das angústias, lutas, dores e belezas das negras francesas auto-denominadas afropeans  ou negras de Europa à releitura autoficcional construída a partir de fitas VHS de acervo pessoais que escondem dramas de assédio e violência psicológica intrafamiliar; do universo criativo de um dos maiores expoentes da fotografia mundial de todos os tempos aos desafios do universo jovem e adolescente de uma garota chilena em busca de liberdade no processo de redemocratização do Chile; ou da adolescente negra que se confronta com o processo de conversão da sua mãe ao islamismo.

Nas obras de Adriana Lopez Sanfeliu, Amandine Gay, Dominga Sotomayor, María Silvia Esteve e Nijla Mu`min nos chegam possibilidades de conexão, fruição, reflexão a partir do poder destas mulheres de falarem sobre o que quiserem com suas cinematografias singulares.

Beth Sá Freire e Márcia Vaz