Lute como uma mulher

Como é difícil e sem fim a batalha das mulheres. Gritos e afetos são formas de expressão nas lutas travadas contra a injustiça. Vigilantes como os cães, elas vivem dia e noite numa mistura de luta, amor e devoção. O cinema, com seu poder, abrangência e impacto, é arma poderosa para ilustrar e dramatizar essa guerra por equidade e representatividade. As mulheres são uma comunidade forte contra os aventureiros e a falta de escrúpulos. Em 2018, na primeira edição do FIM, foi criada a MOSTRA LUTE COMO UMA MULHER. Neste ano, às vésperas das eleições municipais, a seleção traz cineastas que em seus trabalhos demonstram interesse pelas escolhas que serão feitas nas urnas e que implicarão em mudanças não só nas vidas de mulheres negras, brancas, indígenas e amarelas, cis ou transgênero, mas de todos. A prática do voto se aprende e discute no filme de Alice Riff, Eleições, apresentando os bastidores de uma disputa ao comando do grêmio de uma escola secundarista. Sementes, de Éthel Oliveira e Júlia Mariano, acompanha a onda de candidaturas de mulheres pretas nas eleições de 2018 no Rio de Janeiro, como uma reação ao assassinato de Marielle Franco. Estreando na Berlinale com prêmio, Espero Tua (Re)Volta, de Elisa Capai, relata a ocupação das escolas secundaristas como reação dos alunos às péssimas condições do ensino público, um exemplo de resistência. Ser mulher significa lutar a cada dia, e uma de suas armas mais poderosas é o voto.